
Lembranças do passado: 06/05/1765
A mão pálida estendeu-se a mim naquele quarto escuro e vazio, seus olhos verdes preenchidos em uma falsa inocência que me convenceram de que deveria seguir seus lábios com os meus, numa suavidade interessante. O seu cheiro invadiu minha mente, causando certo desejo em mim, o suor descia pelo meu corpo: queimando-o. Suas mãos leves empurravam-me para trás, em vão. Tentei fingir que perdia o equilíbrio e caía na cama, deitou sobre meu corpo o seu e acariciou meu rosto com as costas da mão. Os lábios sedutores encontraram-me enfim, as línguas bailavam provocando-me, manipulando-me. O beijo encontrou seu término vazio quando sua língua acompanhou uma linha ao meu ouvido e sussurrou: – Amo-te. – Não conseguia prosseguir, não sentia o mesmo. O desejo era visto em seus olhos. Sua respiração foi correndo até a pele de meu pescoço senti seus dentes afiados tocando-o e puxando conta si numa delicadeza incomum. Senti uma ânsia de tocar-te: acariciei vagamente seu tronco. Afastou-se gentilmente de meu corpo e levantou-me. Lágrimas desciam dos meus olhos, estavam negras e avermelhadas: lágrimas de sangue, quiçá. Declarei o que precisava dizer para fazê-lo ficar: Amo-te. – Menti. Senti sua vaga aproximação de mim e este dormiu aconchegado em meus braços com sua face enterrada em meus cabelos.
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